O Fenômeno da Massificação

Com o advento da Internet e o avanço dos demais seguimentos tecnológicos, o mundo –como costumo dizer – que tinha as “dimensões de um mundo”, ficou do tamanho de uma bola de ping-pong. O cidadão passou a ser um número ou um subcidadão achatado pelo “Fenômeno da Massificação” imposta pelo mercado de consumo. A criatividade que existe nos seres humanos – todo ser vivo é criativo e ela está dentro de nós, só precisa ser externada – é destruída pela massificação que menospreza a inteligência do cidadão e a liberdade de cada um é tolhida, forçando os seres humanos a viver, basicamente, de forma uniforme.

A sociedade passou a ser norteada pelo consumismo exacerbado, produzido por uma massificação em um mundo capitalista, onde usar um tênis “de marca” ou o jeans de “grife estrangeira”, passou a ser quase uma obrigação entre os jovens. O consumo de produtos feitos com óleos vegetais hidrogenados, que deixam as veias como se fossem plastificadas – só porque os reclames da TV dizem que está na moda – ingerir alimentos com alto teor calórico, alimentando também a obesidade, passaram a fazer parte do cardápio do dia a dia. O cidadão – independente da classe social – modificou os seus costumes e passou a seguir o que veicula as agências de publicidades, fazendo-o pensar serem ricos e, por isso, se endividar como pobres coitados. Tudo isso causado pelo fenômeno da massificação imperiosa e sem limites.

Darcy Ribeiro – antropólogo e educador – escreveu que o Brasil viveu sempre para o mercado mundial, não para o seu povo. Talvez, por isso, sempre nutrimos a perspectiva de que, por muito tempo, viveremos em função do modismo ditado pelo mercado de consumo exterior – no Brasil as metas são impostas, pelo mercado, de fora para dentro – e pela ambição de lucro dos países mais ricos. Este comportamento nos leva a deixar de construir, a médio e longo prazo um Estado soberano, com uma população bem alimentada – o que de melhor produzimos, principalmente alimentos, exportamos.

Concluímos, então, que a massificação foi o fenômeno propulsor das grandes mudanças comportamentais no planeta, tirando toda e qualquer liberdade do cidadão, até mesmo a de pensar, transformando seu comportamento – vestuário, laser, atitudes, etc – impedindo-o de exercer a sua criatividade e o poder de improvisar – que deveria ser espontâneo – transformando-o em robô criado em série. A discriminação é acentuada pela sociedade que passa a distinguir rico de pobre, bem vestido do mal vestido, o culto do inculto, como dois participantes de uma competição que, a cada dia, se distanciam entre si.

Alberto Peixoto

www.albertopeixoto.com.br
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Sobre o autor

Alberto Peixoto
Antonio Alberto de Oliveira Peixoto, nasceu em Feira de Santana, em 3 de setembro de 1950, é Bacharel em Administração de Empresas pela UNIFACS, e funcionário público lotado na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, atua como articulista do Jornal Grande Bahia, escrevendo semanalmente, é escritor e tem entre as obras publicadas os livros de contos: 'Estórias que Deus Duvida', 'O Enterro da Sogra, 'Único Espermatozoide', 'Dasdores a Difícil Vida Fácil', participou da coletânea 'Bahia de Todos em Contos', Vol. III, através da editora Òmnira. Também atua incentivador da cultura nordestina, sendo conselheiro da Fundação Òmnira de Assistência Cultural e Comunitária, realizando atividades em favor de comunidades carentes de Salvador, Feira de Santana e Santo Antonio de Jesus. É Membro da Academia de Letras do Recôncavo (ALER), ocupando a cadeira de número 26. E-mail para contato: [email protected] Saiba mais sobre o autor visitando o endereço eletrônico http://www.albertopeixoto.com.br.