Da informação à sabedoria | Por Daniel Piza

John Maynard Keynes (Cambridge, 5 de junho de 1883 — Tilton, East Sussex, 21 de abril de 1946) foi um economista britânico cujas ideias mudaram fundamentalmente a teoria e prática da macroeconomia, bem como as políticas económicas instituídas pelos governos. Ele fundamentou suas teorias em trabalhos anteriores que analisavam as causas dos ciclos econômicos, refinando-as enormemente e tornando-se amplamente reconhecido como um dos economistas mais influentes do século XX e o fundador da macroeconomia moderna.O trabalho de Keynes é a base para a escola de pensamento conhecida como keynesianismo.

John Maynard Keynes (Cambridge, 5 de junho de 1883 — Tilton, East Sussex, 21 de abril de 1946) foi um economista britânico cujas ideias mudaram fundamentalmente a teoria e prática da macroeconomia, bem como as políticas económicas instituídas pelos governos. Ele fundamentou suas teorias em trabalhos anteriores que analisavam as causas dos ciclos econômicos, refinando-as enormemente e tornando-se amplamente reconhecido como um dos economistas mais influentes do século XX e o fundador da macroeconomia moderna.O trabalho de Keynes é a base para a escola de pensamento conhecida como keynesianismo.

S. Eliot fez em poema algumas perguntas que não poderiam ser mais atuais: “Onde a vida que perdemos no viver? Onde a sabedoria que perdemos no conhecimento? Onde o conhecimento que perdemos na informação?” Hoje vivemos na chamada Era da Informação, mas me parece claro que o conhecimento individual não aumentou, muito menos a sabedoria… Eliot, poeta e ensaísta americano que foi um dos gênios do século 20, tocou no ponto certo ao distinguir esses três níveis: informação, conhecimento e sabedoria. No entanto, acho fundamental que se diga que não é por culpa da informação que não temos conhecimento, nem por culpa do conhecimento que não temos sabedoria.

Está mais do que na hora de usar os termos adequados para cada coisa. O que muitas vezes é classificado como “informação” deveria, na verdade, ser chamado de “dado”. Se você disser, por exemplo, que John Maynard Keynes é “um economista inglês”, terá apenas um dado. Se souber resumidamente o que Keynes pensava – a tese de que a máquina pública tem papel essencial na recuperação das economias em recessão, porque seu déficit impulsiona a atividade a tal ponto que será superado depois de alguns anos –, então terá uma informação, ou seja, um dado contextualizado com outros dados. E se você entender que Keynes desenvolveu essa tese justamente quando o Ocidente vivia a crise do entre-guerras, e que mais tarde reviu suas idéias em função do cenário posterior à Segunda Guerra, então terá conhecimento, ou seja, um conjunto de informações vistas em seu peso relativo, em seu valor específico.

E a sabedoria? A sabedoria é o conhecimento transformado em modo de vida. Não existe uma fórmula perfeita para a existência, mas a sabedoria se revela na forma como um indivíduo não permite que esse conhecimento seja fossilizado em certezas perenes, em presunção imutável. Um economista seria sábio se tentasse pensar o que Keynes pensaria caso estivesse em seu lugar e tempo, apenas como exercício de percepção, e não se quisesse repetir Keynes. O próprio Keynes seria o primeiro a dizer que, se os fatos mudam, as opiniões devem mudar também. Mas sabedoria não é ter a opinião certa, é mantê-la aberta. Para isso servem os dados e as informações: para que o conhecimento seja sempre revisto.

“Depois de tanto conhecimento, qual perdão?”, perguntou ainda Eliot, que era tão conservador que se dizia “monarquista, anglicano e classicista”. Ter muito conhecimento não é pecado. Pecado é esquecer que não existe conhecimento disponível no mundo para que saibamos tudo, para que deixemos de ser ignorantes sobre tantas coisas dentro e fora de nós mesmos. Sábio é sempre duvidar do que se conhece. Só assim a vida será vivida em sua grandeza, em vez de desperdiçada. Acesso às informações já temos. Falta saber o que faremos com elas.

Daniel Piza, Biografia

Nasceu em São Paulo em 1970 e estudou Direito no Largo de São Francisco (USP), começou sua carreira de jornalista em O Estado de S. Paulo (1991-92), onde foi repórter do Caderno2 e editor-assistente do Cultura. Trabalhou em seguida na Folha de S. Paulo (1992-95), como redator, repórter e editor-assistente da Ilustrada, cobrindo especialmente as áreas de livros e artes plásticas. Foi editor e colunista do caderno Fim de Semana da Gazeta Mercantil (1995-2000). Em maio de 2000, retornou ao Estado como editor-executivo e colunista cultural; desde 2004 assina também uma coluna sobre futebol. Colabora com a revista Continente Multicultural, entre outras, e é comentarista do canal Globo News e da rádio CBN. Traduziu oito livros, de autores como Herman Melville e Henry James, e organizou seis outros, nas áreas de jornalismo cultural e literatura brasileira. Publicou quatorze livros: quatro coletâneas, um romance juvenil, um infantil, dois perfis, cinco ensaios e a biografia de Machado de Assis. Escreveu também o roteiro do documentário São Paulo – Retratos do Mundo. É casado com a jornalista Renata Gonçalves e tem três filhos, Letícia, Maria Clara e Bernardo.

Publicado originalmente no Estadão, Em 9 de fevereiro de 2008.

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