70% dos homens que se prostituem na Espanha são brasileiros

Sete mil homens foram ouvidos na pesquisa Trabalhadores masculinos do sexo, conduzida pelo Ministério da Saúde espanhol em parceria com o governo regional de Madri e a ONG Triângulo.

Segundo o estudo, a chegada em massa de brasileiros à Espanha a partir de 2005 disparou os índices de prostituição no país.

Até 2005, os brasileiros representavam 36% do total do mercado. Em 2006, chegaram a 55% e no ano passado subiram para 68,8%. Os espanhóis eram apenas 12% até o fim de 2007.

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Vontade própria

O trabalho indica que o perfil dos brasileiros que se prostituem na Espanha é de jovens entre 17 e 28 anos, homossexuais (75%), com baixo índice de escolaridade, situação ilegal e inexperientes, o que sugere que não tinham a mesma atividade no Brasil.

“A grande maioria decide permanecer nesse setor por dinheiro. Ao contrário das mulheres, que muitas vezes chegam enganadas e pressionadas por máfias, os homens sabem onde estão e exercem por vontade própria”, disse Maria Pelaez, antropóloga que coordenou o estudo.

O levantamento define a prostituição masculina como “invisível” porque usa métodos mais discretos se comparados com os das mulheres.

Somente 1% coloca anúncios nos jornais e 9% estão nas ruas. A maioria (61,4%) atua em saunas gays, e o restante busca clientes de outras formas, como por meio da internet e trabalhando em prostíbulos.

Aids

O estudo alerta também para o alto risco de contágio do vírus do HIV, que é 25 vezes maior entre os homens.

Dos entrevistados, 19,8% mostraram ser soropositivos no primeiro teste de HIV. Entre os que fizeram o exame e ele deu negativo, 6% foram infectados dias depois, o que ficou comprovado no segundo teste.

“Um dos objetivos dessa pesquisa é atuar na prevenção, porque há um problema grave que está aumentando. Entre as mulheres, o índice de contágio é de apenas 1%” disse o médico Jorge del Romero, um dos autores do trabalho.

Uma das partes da pesquisa aborda o uso da camisinha: 97% dos entrevistados responderam que usam preservativo, mas não foram convincentes quando indagados sobre seu uso em todas as relações.

“O problema é que muitas vezes o preservativo é um meio de separar as relações sexuais comerciais das particulares, o que dificulta identificar se o contágio do HIV surge da prostituição ou não”, explicou Ivan Zaro, diretor da ONG Triângulo.

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