Um novo ciclo | Por Emiliano José

O País vive hoje o ciclo econômico mais virtuoso de sua história. Ao lado disso, as políticas sociais de inclusão no segundo mandato do presidente Lula tendem a alcançar uma extensão e qualidade sem paralelos em nossa história. E nunca nenhum governo combateu tanto a corrupção como se tem feito no governo Lula. Essas afirmações são do cientista político Juarez Guimarães, professor da Universidade Federal de Minas Gerais, extraídas do artigo “A nova economia política do governo Lula”, publicado na revista Teoria e Debate, de julho/agosto de 2007, da Fundação Perseu Abramo.

Num cenário midiático adverso, é importante que apareçam vozes como a de Guimarães, capazes de capturar o significado mais profundo das políticas em curso. Sob o governo Lula, houve a superação da vulnerabilidade externa, e isso criou um espaço de autonomia maior do Estado nacional frente ao mercado mundial, em particular às pressões dominantes do capital financeiro. A última crise imobiliária dos EUA, que contaminou tantas economias e em relação à qual o Brasil passou ao largo, é uma comprovação disso.

O Estado brasileiro conseguiu recuperar, após décadas, parte de sua capacidade estratégica de investir maciçamente e expandir gastos sociais. E isso deu a esse novo ciclo econômico uma característica ausente também havia décadas: a de ter um forte potencial distributivo. Esse mesmo jornal A Tarde, de 20 de setembro, estampava título dando conta de que a miséria havia diminuído 15% de um ano para outro – de 2005 para 2006 quase 6 milhões de pessoas cruzaram a fronteira da miséria, segundo a Fundação Getúlio Vargas.

Isso não autoriza qualquer euforia, pois o Brasil continua a ser um dos países mais desiguais do mundo. Mas, a persistirem políticas como as do governo Lula, a médio e longo prazo, a redução da desigualdade, que ocorreu fortemente nos últimos três anos segundo a ONU, deve se acelerar. Esse novo ciclo, que deve se consolidar no segundo mandato de Lula, será tanto mais distributivo quanto maiores forem as lutas políticas e sociais dos trabalhadores e do povo brasileiro, segundo as conclusões de Guimarães, com as quais concordo.

Impõe-se, ainda, nessa fase, o planejamento democrático desse novo ciclo, acentuando-se a natureza republicana e democrática das estruturas de decisão e gestão do Estado. Essa nova economia política, com maior autonomia do Estado brasileiro, com afirmação de sua soberania, com cada vez mais participação popular, com seu potencial distributivo, seria parte do que Juarez Guimarães chama revolução democrática, cuja maior conquista seria, a médio prazo, transformar a pobreza crônica em peça de museu na história do Brasil.

As resistências a tais mudanças de rota não são pequenas e continuarão a se manifestar. Será preciso determinação do governo e clareza dos trabalhadores e do povo para que continuemos no caminho democrático, um caminho que inclua crescentemente os milhões de brasileiros e brasileiras que ainda se encontram na miséria, e que foi percorrido até agora pelo governo Lula. Esse é um sonho que não podemos abandonar. Em respeito a pensadores como Celso Furtado e Maria da Conceição Tavares, inspiradores das políticas desenvolvidas nesse novo ciclo.

*Por Emiliano José é professor aposentado da Faculdade de Comunicação (FACOM) da Universidade Federal da Bahia (UFBA. Em 1999, defendeu a tese “A Constituição de 1988, as reformas e o jornalismo de campanha”, tornando-se doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas. Começou a carreira jornalística na Tribuna da Bahia, passou pelo Jornal da Bahia, O Estado de S. Paulo, O Globo, e pelas revistas Afinal e Visão. Foi um ativo integrante da imprensa alternativa nos tempos da ditadura.

Compartilhe e Comente

Faça uma doação ao JGB

Redes sociais do JGB

Publicidade

Publicidade

+ Publicações >>>>>>>>>

Manchete

Colunistas e Artigos

Sobre o autor

Redação
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]