A sustentável leveza do ser

A sustentável leveza do ser /Do slow food ao slow world

O nome que identifica o movimento tem sua pronúncia no inglês,mas seu caráter é universal e, aos poucos, conquista mais e mais adeptos mundo afora. Mas o que é o slow world e onde surgiu essa manifestação, esse comportamento transgressor que se recusa em aceitar a imposição de uma rotina neurótica e estressante na busca de uma suposta ascenção social e de uma felicidade baseada no acúmulo de conquistas materiais ao longo da vida? Tudo começou na Itália, com a Slow Food Association, que tem como logomarca um caracol, e considera que o ato de preparação e digestão dos alimentos, nossas refeições, devem ser realizadas entre amigos, com a família, sem pressa e com qualidade. Nos acostumamos a uma correria sem fim que não nos permite mais nem parar para saborear uma comida de maneira satisfatória, como nos tempos de outrora, na nossa velha infância.

Não temos tempo para estar com os filhos, curtir a casa, ver amigos, parece que os dias ficaram curtos demais para tantos compromissos e, no final da jornada diária, estamos tão exaustos física e psicologicamente que só o que queremos é descansar, ilharmo-nos um pouco, desligando-nos da vida que acontecia enquanto fazíamos planos para o futuro, como disse o famoso John Lennon.

Se pararmos para pensar vamos perceber que existe uma forma mais saudável e prazerosa de viver a vida e que ela encontra-se justamente no presente, no ato de fazer em si, e não num futuro distante, onde se abdica do único tempo real, que é o agora, para se entregar a ações que terão ou não frutos adiante, provocando uma sensação de conforto e segurança que esse tipo de conquista propaga. Slow food x fast food, qualidade x quantidade e como somos um povo ainda sem unidade, com uma identidade fragmentada por razões variadas, temos a tendência de importar comportamentos.

Após Carmen Miranda, todos nos americanizamos de algum jeito, seja no vestir, nos utilitários domésticos, no cinema, na música, enfim, pouco nos identificamos com o continente Europeu e seu jeito mais, digamos, sério de ser. Seria esse um bom momento de fazer isso. Aderir ao Slow Europe que já pode colher dados positivos quanto à melhoria na qualidade de vida verificada em alguns países que introduziram mudanças em seu ritmo de produção.

Os franceses trabalham menos horas por semana que os americanos e produzem mais que eles e que seus colegas ingleses. Os alemães que em muitas empresas já instituíram a semana de apenas 28,8 horas tiveram um aumento de 20% comprovados em seus lucros. Nossos empresários também poderiam “copiar” esse movimento inteligente que se iniciou em alguns países europeus, imitado até por alguns americanos em nome de uma maior produtividade e qualidade do produto em si. Mais felizes, com mais tempo de se dedicarem a família e aos amigos nossos trabalhadores chegariam a resultados muito melhores .

Mesmo nós, como indivíduos, deveríamos dar “mais atenção” a esse assunto e tentar perceber que atitudes em nossa rotina poderiam ser revisadas, transformadas ou até excluídas para que vivêssemos com maior leveza, prazer e verdade, sem nos tornarmos escravos de uma época ,onde a imagem é o que conta, onde o “ter” é muito mais importante que o “ser” e onde vale qualquer coisa para se conseguir o que se pretende.

Confesso que me identifiquei com o assunto porque me considero uma adepta do “slow Stile of Life”. Fiz essa escolha há algum tempo e, mesmo com inúmeras atividades diárias, procuro seguir uma ordem mais interna que externa ao focar minhas prioridades. Sinto-me bem melhor assim e, sem medo de ser feliz, recomendo um teste, uma tentativa, uma chance de fazer e de ser de outro jeito para que a vida não se limite a um simples rascunho.

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