Nos Tempos dos Bregas

O tempo sempre passa tão rápido, que não percebemos e sempre exclamamos: “parece que foi ontem!” Neste último final de semana, senti que o tempo tinha passado e levando com ele, os bons momentos da minha adolescência, apenas deixando só as lembranças dos bons tempos. A Água de Colônia Catedral não faz mais parte do meu dia a dia e muito menos a Brilhantina Glostora, dá brilho aos meus cabelos.

Nesta minha viagem ao passado, lembrei-me do “velho minadouro” – a “zona” mais famosa de Feira de Santana – funcionando a todo vapor, onde, no dia 27 de setembro de 1967, a convite do meu amigo Mero Melodia – pois era meu aniversário – pela primeira vez, meus pés pisaram em um ambiente onde tudo era muito estranho para mim – foi minha “primeira vez”. Todas as casas eram iluminadas por lâmpadas coloridas, porém muito foscas e predominando a cor vermelha ou avermelhada. Resolvemos entrar em um daqueles “estabelecimentos” e percebi que as salas eram decoradas, como se fossem para uma festa junina, principalmente o salão onde ficavam as mulheres sentadas, do mesmo modo que mercadorias em prateleiras de um supermercado sinistro, à espera dos seus clientes, seminuas ou vestidas com roupas transparentes e muito curtas, tinham o rosto, excessivamente maquiado, os lábios, quase sempre com batons de um vermelho bastante acentuado ou de qualquer outra cor berrante e, o som, a todo volume, tocava músicas que condiziam com aquele ambiente – com certeza Waldick Soriano ou Agnaldo Timóteo. O som, entrando em meus ouvidos, deixava-me quase hipnotizado.

Ah!!! Velhos tempos que não voltam mais. Não havia a AIDS nem nenhum desses “vírus terroristas” de hoje em dia. No máximo, uma blenorragia que o saudoso Marcelino do Pau, com suas fórmula mágicas, nos curava. As esposas viviam mais despreocupadas porque não corriam o risco de perderem o marido, como hoje, para as piriguetes.

Nos tempos dos bregas, quem os freqüentava, tomava sua cerveja, dançava, “fazia amor”, pagava e ia embora, sem criar nenhum vinculo com as “profissionais do sexo”.

Hoje em dia, não podemos nem olhar para uma mulher. Vem logo em nossa cabeça… pensão judicial, golpe da barriga, “aborto inventado”, alguém passando trote para sua esposa e pondo fim em seu casamento e para acabar de arrasar, as doenças sexualmente transmissíveis.

Ah!!! Como era tão bom e não sabíamos!!!

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Sobre o autor

Alberto Peixoto
Antonio Alberto de Oliveira Peixoto, nasceu em Feira de Santana, em 3 de setembro de 1950, é Bacharel em Administração de Empresas pela UNIFACS, e funcionário público lotado na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, atua como articulista do Jornal Grande Bahia, escrevendo semanalmente, é escritor e tem entre as obras publicadas os livros de contos: 'Estórias que Deus Duvida', 'O Enterro da Sogra, 'Único Espermatozoide', 'Dasdores a Difícil Vida Fácil', participou da coletânea 'Bahia de Todos em Contos', Vol. III, através da editora Òmnira. Também atua incentivador da cultura nordestina, sendo conselheiro da Fundação Òmnira de Assistência Cultural e Comunitária, realizando atividades em favor de comunidades carentes de Salvador, Feira de Santana e Santo Antonio de Jesus. É Membro da Academia de Letras do Recôncavo (ALER), ocupando a cadeira de número 26. E-mail para contato: [email protected] Saiba mais sobre o autor visitando o endereço eletrônico http://www.albertopeixoto.com.br.