Existe um Lugar | Por Christina Thedim

Houve um tempo, perdido nos séculos incontáveis de existência da raça humana, onde o matriarcado se impunha como poder dominante. Tempo esse em que os homens desconheciam seu poder ante a concepção. As mulheres detinham essa magia de criar um ser e não se sabia como isso acontecia. Até que o sêmem foi reconhecido como co-autor dessa façanha fantástica que é gerar uma vida, dar continuidade a espécie, e tudo mudou drasticamente, com o pátrio poder se consolidando e tomando a forma preponderante no mundo atual, de dominação, subjugação e controle da raça humana pela economia e poder bélico, usando o fundo religioso como justificativa para tantas e tantas barbáries que se comete em nome de Deus. Mas como habitamos um planeta rico, diversificado em raças e civilizações, por incrível que possa parecer, nem tudo foi tocado pela ordem vigente.

Existe um lugar, de nome Meghalaya, que em sânscrito significa “a morada das nuvens”, um estado pequenino situado entre montanhas, no nordeste da Índia, onde as coisas parecem funcionar como nos tempos antigos, com uma população de maioria feminina, o que é algo completamente fora dos padrões do resto do país, onde a população feminina é vista com desagrado desde a hora em que vem ao mundo. De mãe para filha o poder é passado há séculos e até hoje assim permanece. São 985 mulheres para cada homem, já imaginaram?Mas assim como surgiu no início do século XX o movimento feminista, começa a surgir por lá o movimento “masculinista”, em busca de direitos, digamos, mais igualitários entre homens e mulheres. Eles só cuidam da subsistência e defesa da família, enquanto as mulheres cuidam dos bens e da casa, assim como da educação dos filhos.

O tio materno é quem cuida do aspecto religioso nos clãs das três tribos que habitam 85% desse território de exuberantes florestas, onde vivem isolados geograficamente cinco milhões de habitantes. As herdeiras têm seus direitos adquiridos e, caso não tenham filhas, a herança vai para a irmã mais velha e assim por diante. Com o advento da Internet, via satélite, o mundo “real” começa a penetrar naquele universo arcaico onde os poucos homens começam a questionar sua posição nessa sociedade feminista, onde são meros reprodutores e sem nenhum direito adquirido como cidadãos. No idioma falado nas tribos, com uma mistura do inglês, as coisas inanimadas recebem nomes masculinos, até tornarem-se úteis, aí passam a ter nomes femininos. Por exemplo, madeira é masculina e tábua é feminina. Assim como aqui a mulher vai viver com seu provedor, lá os homens quando se casam são obrigados a irem para a casa da sogra e podem ser expulsos a qualquer momento, sem nenhuma garantia de sobrevivência. Os filhos, em casos de separação, ficam com o clã feminino.

Por quanto tempo mais isso se perpetuará? Isso só o tempo poderá responder. Sinceramente, torço para que as matriarcas entrem em acordo com os pobres machos da longínqua morada e os tratem com mais dignidade e respeito, se assim fizerem por merecer, pois os considero parceiros e não acho justo um tratamento desigual, de dominação, seja de que lado for. Que recriem com a sabedoria feminina e o ímpeto masculino um exemplo de harmonia para todo o resto do mundo. “Que o melhor de mim esteja em vocês”: Namastê!!! Até a próxima semana, com a graça do Criador.
Fale com Christina Thedim: [email protected]

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