A Interpol tem lista com 181 fugitivos do Brasil

O coordenador-geral em exercício da Interpol no Brasil, delegado Glorivan Bernardes de Oliveira, diz que os crimes de natureza financeira são os mais comuns entre os criminosos ou suspeitos buscados pela Interpol, mas que há também pessoas acusadas por homicídio e até de crimes ambientais.

O ex-banqueiro Salvatore Cacciola, que está preso em Mônaco aguardando uma decisão das Justiça local sobre o pedido de extradição feito pelo Brasil, era um dos mais antigos nomes na difusão vermelha brasileira, segundo o delegado.

“Era um dos mais antigos e talvez o mais importante, pela repercussão política em torno do caso”, afirmou Oliveira em entrevista à BBC Brasil.

Também estão na lista outros nomes conhecidos, como o do casal fundador da igreja Renascer, Estevam e Sonia Hernandes, atualmente preso nos Estados Unidos ao entrar no país com dólares não declarados. Eles integram a Difusão Vermelha por ordem da Justiça de São Paulo, por causa de processso de evasão de divisas.

Isso significa que, quando cumprirem a pena da Justiça americana, se ainda estiverem na lista, podem ser novamente presos para serem extraditados ao Brasil e responder ao processo aqui.

Sigilo

O delegado diz que não pode falar de outros integrantes da lista que ainda não foram encontrados, para manter o sigilo das investigações.

Para colocar uma pessoa na lista – que indica a necessidade de capturar e prender para fins de extradição ao país que fez o pedido – é preciso primeiro provar à secretaria-geral da Interpol, baseada em Lyon, na França, que a polícia já esgotou todas as possibilidades de busca no território nacional, e que há indícios fortes de que a pessoa deixou o país.

Podem entrar na lista, que é constantemente atualizada, pessoas condenadas à prisão ou aquelas com pedido de prisão preventiva.

No caso de Cacciola, a Interpol brasileira tinha a colaboração da Interpol italiana, que monitorava as atividades do ex-banqueiro em Roma, onde ele vivia desde 2000, quando deixou o país depois de ser liberado da prisão preventiva por um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 2005, mesmo morando fora, ele foi condenado a 13 anos de prisão.

“Havia a possibilidade de ele deixar a Itália a partir de Gênova, onde ele teria ido participar de um evento, e talvez fosse para Mônaco. Quando se confirmou a presença dele em Mônaco, nós pedimos a detenção”, disse o delegado.

Ele disse que Cacciola foi preso ao retornar ao hotel, onde também havia um cassino. “Nós pedimos para a polícia de Mônaco, que tem um território muito pequeno, que fizesse uma checagem na rede hoteleira, e aí deu certo”, afirmou o delegado.

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