A Grande Lavanderia

Um dia desses, tomando cerveja e batendo papo em uma roda de amigos, falávamos sobre assuntos diversos. Cada um dos participantes tinha uma história mais interessante que a outra. Então, falador como sou, também resolvi manifestar minhas idéias acerca de um assunto atual. Afinal de contas, eu considero-me um espírito em constante evolução. Resolvi falar sobre a falta de cultura que assola este país. Mas este assunto, já está muito explorado…

Decidi falar sobre a dificuldade dos escritores brasileiros. Eu mesmo, que escolhi a carreira literária, sinto profunda tristeza ao escrever livros em um país onde não se lê. Sabe-se que mais da metade da população brasileira não tem o mínimo necessário para ser considerada como alfabetizada, ou seja, a leitura seguida da compreensão, posicionamento crítico e contextualização da produção literária.

Infelizmente – desisti – sei que não poderei dizer coisas boas, porque não há leitura e os programas educacionais que visam despertar o gosto pela leitura são ineficazes e os recursos disponibilizados pelo poder público são insuficientes. Não existe uma proposta real com objetivos, metas e estratégias específicas para promover o hábito de ler. O jovem deve praticar leitura, como pratica vôlei, natação ou futebol. Só assim desenvolverá a habilidade e o gosto pela leitura.

Pensei então que poderia falar sobre religião. Mas este assunto também, já está muito desgastado. Ultimamente transformaram os templos “em grandes lavanderias que lavam todo tipo de dinheiro sujo”. Hoje, qualquer pastor evangélico ou padre católico, pode chegar com um saco de dinheiro em um banco e depositá-lo como resultado do dízimo “pago”, no culto da noite passada. Dízimo não tem nota fiscal, não dá recibo e é totalmente isento de todos os impostos. Que saudade dos templos de louvar, adoração e real exercício da fé. Melhor mudar o assunto.

Falar sobre política? Não, isso não. Iria me fazer lembrar dos escândalos noticiados todas as noites nos telejornais, da falta de ideologia e de ética. Recordaria do dinheiro dos nossos impostos, muitas vezes pagos com dificuldades extremas, que deveria retornar para a comunidade em forma de benefícios (saúde, educação, segurança, manutenção de rodovias, etc…), no entanto, está sendo desviado dos cofres da nação para contas em “paraísos fiscais” ou para o pagamento de mensalões, negociatas fantásticas e de todo tipo de corrupção. Lembraria também, que Brasília foi transformada em um grande Shopping Center, onde os políticos compram e vendem o que for mais conveniente aos próprios interesses.

Decidi não falar. Paguei a parte que me coube na conta e saí fazendo uma reflexão, sobre as disparidades existentes em nosso país, terra de grandes homens que escreveram seus nomes na poesia e na política, homens que semearam a esperança, o acreditar em um novo Brasil, em um país de brasileiros sem roupas sujas, com cara limpa e com teto. Ah, o Brasil consolidado no compromisso, na ética e na ação cidadã. Nosso Brasil brasileiro, terra de samba e tecnologia de ponta, futebol e trabalho, de maravilhosas praias e moradia para todos, de belas mulatas e igualdade social, de fé e pleno exercício da cidadania, de ciência avançada e sem fome. Enfim, do Brasil que só sabe torcer para segurar a taça na COPA, porque não necessita esperar mais por um político honesto.

Compartilhe e Comente

Faça uma doação ao JGB

Redes sociais do JGB

Publicidade

Publicidade

+ Publicações >>>>>>>>>

Manchete

Colunistas e Artigos

Sobre o autor

Alberto Peixoto
Antonio Alberto de Oliveira Peixoto, nasceu em Feira de Santana, em 3 de setembro de 1950, é Bacharel em Administração de Empresas pela UNIFACS, e funcionário público lotado na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, atua como articulista do Jornal Grande Bahia, escrevendo semanalmente, é escritor e tem entre as obras publicadas os livros de contos: 'Estórias que Deus Duvida', 'O Enterro da Sogra, 'Único Espermatozoide', 'Dasdores a Difícil Vida Fácil', participou da coletânea 'Bahia de Todos em Contos', Vol. III, através da editora Òmnira. Também atua incentivador da cultura nordestina, sendo conselheiro da Fundação Òmnira de Assistência Cultural e Comunitária, realizando atividades em favor de comunidades carentes de Salvador, Feira de Santana e Santo Antonio de Jesus. É Membro da Academia de Letras do Recôncavo (ALER), ocupando a cadeira de número 26. E-mail para contato: [email protected] Saiba mais sobre o autor visitando o endereço eletrônico http://www.albertopeixoto.com.br.